EU NÃO SOU UMA PALHAÇA
“Ficar em cima do muro é honesto e prático”, diz o homem que enquanto solta clichês como esse vai se fantasiando de palhaço. Em meio a tantos escândalos públicos e ao senso comum que o brasileiro tem de si mesmo de apolítico e acomodado, a alegoria de palhaço têm sido muito utilizada nesses últimos anos.
Assistindo ao noticiário vespertino é realmente fácil pensar que alguns políticos só podem estar tirando com a nossa cara. E por que não fazer alguma coisa para mudar a situação? A resposta não é nada simples. Anos e anos de história do cinema brasileiro já nos mostraram isso. É muito difícil que um novo modelo de crítica social no cinema consiga se legitimar, sendo viável apenas se der conta de abarcar as subjetividades do ser contemporâneo.
É aí que “Se fosse assim era pra ser” peca. Fazendo uso de representações visuais fáceis como o palhaço e o quebra-cabeça da bandeira brasileira desmontado, o curta não conta com a existência de mais esferas da vida além da burocrática-política. Realmente não é louvável o pensamento de quem acha que ficar em cima do muro é prático. Mas nem todo mundo que fica em cima do muro usa como justificação a praticidade.
A carga alienada que se dá ao personagem que diz “o que é meu ainda tá guardado” é a mesma que se tem em relação à suposta mediocridade de seu emprego. Ignora-se a possibilidade de um campo religioso em quem diz uma frase como essa e que se realiza dentro dele. Ou que o trabalho medíocre pode ser uma porção ínfima na sua aventura de viver.
Balconista da farmácia, bancário, arquiteto, médico, cineasta, não importa. Todos encontram no ato de viver uma aridez. O estranhamento da vida contemporânea, toda a herança existencialista. Não é me livrando da fantasia de palhaço que encontrarei minha redenção.
se fosse assim era pra ser (2006), betina humeres. brasil.
programa cinema em curso 2
Monday, August 27, 2007
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment