À VIDA QUE É MAIOR QUE TUDO
“Blue Boy, you are in the morgue
Run, run, run, run, run
In my blue veins”
Razões para ir embora? Sofía age como quem nem precisa de supostas razões, está entre aqueles que nasceram para partir. Assim, vive na tênue linha entre os breves instantes de beleza de quem antes de ir se deu tempo para ser feliz e a melancolia inerente à certeza da partida. A pequena cidade mexicana em que vive e que considera uma ilha ganha uma atmosfera mítica nesses últimos momentos que estão sendo vividos e automaticamente lançados num espaço privilegiado em sua memória. A aridez típica do que sufoca ganha umidade e um tom esverdeado.
Ao lado de Jonas, diminui sua velocidade para contemplar. Os barquinhos de papel na água ou a luz tão típica por debaixo do lençol, assim construindo seus íntimos interlúdios poéticos. A ele, dá o que pode, um carinho não acolhedor, consciente de que tem o mundo inteiro e que por isso, não há espaço para acolher mais nada. Como uma constante nas recentes produções cinematográficas, o personagem masculino mais uma vez encontra-se embasbacado por uma figura feminina marcante. No caso de Jonas, duas. Ambas muito decididas, uma em ficar e a outra em ir.
“Ver chover” ganha muito na escolha de Elisa Miller em omitir a verbalização do conflito na esfera familiar ou o choro rasgado. Sofía não se revolta, apenas sonha. A belíssima música “Blue boy” fecha o filme deixando uma felicidade dolorida. Ela sabe que aquela luz que sentiu por debaixo do lençol só existe lá, mas segue com a firmeza dos que já ganharam uma cicatriz.
ver llover (2006), elisa miller. méxico.
programa latinos 4.
Monday, August 27, 2007
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4 comments:
génte.
eu TE acho.
vc é mais uma das pessoas que eu pago pau pro que escreve.
E suas criticas são excelentes, não há o que negar. Mas eu gosto mais do seu blog quando é sobre o que vc pensa ou sente sobre... muita coisa.
"Dãã... e critica não é o que eu penso sobre uma dessas muitas coisas?!" Sim, mas eu sei que vc me entende e não tenho que explicar nada a ninguém.
Aliás, quem sou eu pra pedir uma cosia dessas: voltar a escrever X ou Y? Bom, acabei de aprender isso com um dos melhores post's que eu já li. Aprendi que eu não sou egoista, mas deveria ser, afinal: sinto tudo isso de uma maneira muito egoísta. a dor e a alegria são minhas e comigo devem ficar. preguiça e impaciência com quem não sabe que a vida é difícil e com quem não merece ouvir minhas alegrias
No mais, essa noite eu tirei pra rodopiar dentro de mim mesmo.
Pra finalizar: sinto um pouco de inveja quando reconheço o seu amigo que vc acabou de conhecer para a vida toda. Não sei se é por querer ser ele ou vc.
Enfim... isso é um comentário ou um post?????
Isso que você falou sobre considerar uma ilha me fez lembrar de uma das primeiras cenas (não lembro se era a primeira), em que eles atravesssam a rua. É muito isso, né? Um local isolado com perigos e inseguranças por todo lado.
adorei isso:
"mas segue com a firmeza dos que já ganharam uma cicatriz. "
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