Escolher os limites visualizáveis é o ato primeiro tanto de quem vive quanto de quem filma. Se somos grandes demais para o mundo e o mundo é grande demais para nós, nada mais sensato do que dar a devida atenção a essa escolha. É o que diretor e personagem de Hoy no estoy fazem. Ao mesmo tempo em que são conscientes do peso da vida do novo século, têm a graça dos que permitem decretar que “hoje não estou”.
No seu belo curta anterior, Medianeras (2005), Taretto nos apresentava a cidade em planos bem abertos, com câmera livre e protagonistas buscando na Internet uma possibilidade de encontro com o outro. Agora, continua filmando com maestria a arquitetura urbana, mas sem a profundidade de campo da perspectiva clássica. As ações ocorrem no plano chapado formando um grafismo que nos conduz a uma situação óptica pura de uma cidade que não, não esmaga seus moradores se esses escolherem bem o que querem ver e como querem que sejam vistos.
Seus personagens são solitários que encontram no outro a chance de superarem a inércia mesmo que por alguns instantes. Em meio a uma terna indiferença em relação ao mundo, é possível vivermos breves de momentos de conexão com alguém. Não é nem preciso palavras nessa certeza de que o outro divide do exato mesmo estranhamento da vida. Não sabemos quem somos, para onde vamos e por quê, mas não é preciso se perturbar.
Durante o beijo espremido dentro de algum objeto de concreto, a garota fica na ponta dos pés com a leveza que só uma apaixonada em estado de graça pode ter. Sabem que de tão mágico, o encontro estava fadado a acontecer. Eu sempre soube que iria encontrar um filme como esse.
hoy no estoy (2007), gustavo taretto. argentina.
festival internacional de curtas metragens de são paulo
programa latinos 4: dia 27/08 - 15h e 19h - espaço unibanco e dia 29/08 - 18h - cinemateca
Sunday, August 26, 2007
LIMITES VISUALIZÁVEIS
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1 comment:
os textos não ficaram iguais.
porque o seu é beeem mais bonito.
eu ja falei e repito. adoro a sua simplicidade. principlamente na sua última frase. que é de efeito.
bjotchau.
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